Caro leitor,
hoje vamos abordar um tema essencial e polêmico para a nossa sociedade: a política e a escolha de representantes para cuidar do futuro do país, do nosso futuro e do futuro daqueles que amamos e queremos bem.
No dia da votação, uma pergunta circulou pelos stories da comunidade: política cabe aqui? Quem a levantou trouxe também uma resposta: para essa pessoa, misturar “politicagem” com jogo e personagem 3D é bizarro. A contraresposta veio em dezenas de vozes, de artistas, redatores, cantores, modelos e tantos outros, e quase todas diziam a mesma coisa: cabe, porque ela já está aqui.
O argumento é simples. Moda, arte, saúde, educação, o preço de um computador, o valor de um VIP no servidor: tudo é afetado por decisões econômicas e sociais. Jogos também, quem joga RP vive, dentro da tela, marginalização, corrupção e desigualdade, temas que o próprio GTA sempre explorou. Discordar de quem fala é um direito, mas querer decidir onde os outros podem falar já é uma posição política.
O personagem que você controla não vota, mas você, caro leitor, tem esse poder nas mãos, com a sua classe, o seu território, a sua família e a sua identidade. Vocês acompanharam inúmeras declarações e textos explícitos, e grande parte do público da nossa comunidade é jovem. As decisões que vocês tomam definem o mundo em que cada um vai crescer.
Votar não é só um dever cívico. É uma escolha cujo impacto vai além de quem a faz: idosos, crianças, pessoas em situação de rua, quem depende de auxílios, mulheres que sustentam a casa sozinhas, a população negra, os povos indígenas, pessoas com deficiência, a comunidade trans e LGBTQIA+. A pergunta que sobra não é só “o que isso me oferece?”, mas “o que isso faz com quem tem menos proteção do que eu?”.
Isso exige esforço: pesquisar candidatos, ler propostas e conhecer históricos, em vez de votar por viralização ou por pressão do grupo. Tire um tempo para fazer isso e escolha com sabedoria, não só para si, mas para o coletivo. Vivemos em sociedade, e o bem-estar de todos também é responsabilidade nossa.
E é entrando nessa abordagem de comunidade que eu deixo uma pergunta: quando alguém tem relação afetiva com uma pessoa de outro campo político, a comunidade tem o direito de cobrar coerência?
Há quem ache que sim, porque os valores definem quem somos. Há quem responda que cobrar de alguém o que ela não escolheu, como a opinião de outra pessoa, é transformar convicção em tribunal.
Criticar uma ideia e criticar pessoas são coisas diferentes. A cobrança legítima é sobre o que cada um diz, vota e defende. A que vira ataque, apelido, indireta e linchamento não protege ninguém e só faz o debate perder força.
Dignidade não é um teste que se aplica aos outros. É uma pergunta que se faz a si mesmo diante da urna: meu voto protege quem mais precisa ser protegido? Eu li o que estou escolhendo? Eu respeito quem pensa diferente sem abrir mão do que acredito?
Até onde vai a sua dignidade? Até onde você está disposto a olhar além de si.
Caros leitores, me despeço com um apelo. Mais de 30 milhões de brasileiros deixaram de comparecer às urnas, cerca de 21% do eleitorado apto a cumprir o dever cívico. Cada voto faz diferença: pense em si, mas pense também no conjunto. Apoiar ideias que contradizem aquilo que você vive e aquilo que você ama é dar as costas a si mesmo. Busque conhecer propostas que realmente ajudem a todos, porque somos uma sociedade plural. Quem escolhe governar apenas para um grupo deixa o restante do país de fora.