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EROS BOQUETT: WE CAME TO STAY

Definir Eros Boquett por apenas uma função talvez seja ignorar justamente aquilo que mais caracteriza sua trajetória. Cantor, DJ, modelo e criador, ele encontrou na mudança uma maneira de construir sua própria identidade dentro da cena.
“Acredito que o que melhor me define é justamente essa constante mudança. Estou sempre em projetos inusitados e eu amo isso!”


Hoje, o DJing ocupa o maior espaço em sua carreira, mas Eros não demonstra vontade de abandonar as outras versões que construiu pelo caminho. Pelo contrário. Para ele, circular entre música, moda e novos projetos também funciona como uma maneira de se descobrir.


Essa liberdade contrasta com um lado que talvez não seja tão evidente para quem o acompanha nos palcos. Eros se considera bastante tímido, principalmente diante de públicos ou pessoas que ainda não conhece. É durante os shows que isso muda. Aos poucos, ele se solta e encontra uma versão muito mais confortável em ocupar aquele espaço.
E ocupar espaços se tornaria uma parte importante de sua história.

Foi de uma ideia que permaneceu engavetada por algum tempo que nasceu o Baile of Cunt. Mais do que criar outra festa, Eros queria construir um espaço de acolhimento e criatividade que colocasse a arte DJ no centro da experiência.


O projeto ganhou força com Jeff e Mística, duas pessoas que Eros considera fundamentais para que a ideia finalmente saísse do papel. Mas foi a resposta do público, dos artistas e das próprias cidades que mostrou que aquilo poderia alcançar proporções muito maiores.
Desde o início, existia uma mensagem por trás do Baile.
“Nós chegamos para ficar e você também pode.”


Para Eros, o projeto também fala sobre coragem. Sobre ocupar lugares, experimentar e mostrar para outras pessoas que elas também podem encontrar espaço. Essa vontade apareceu até na estrutura dos shows. Em vez de repetir uma fórmula, o Baile apostou em sets inéditos e novas experiências a cada performance.


“Foi desafiador, mas valeu a pena. A gente fez história.”
O crescimento do projeto aconteceu justamente em um momento em que os DJs começaram a conquistar uma presença diferente dentro da comunidade. Eros acredita que isso veio da determinação de artistas que decidiram “colocar a cara a tapa” e defender aquilo que estavam produzindo.

Ainda existe resistência. Ele brinca que algumas pessoas continuam tratando o DJ como a “pausa para o xixi” dos eventos, mas enxerga uma mudança clara. Os convites aumentaram e DJs passaram a ocupar marcas, premiações, feeds e espaços onde começam a ser reconhecidos não apenas como quem conduz uma festa, mas como artistas com estética, conceito e público próprios.
“A arte DJ é linda e todo set vai passar algo diferente. Essa categoria precisa de ainda mais reconhecimento.”

Antes das pick-ups, porém, existia o Eros cantor.


O canto foi seu primeiro contato com o lado artístico do FiveM e também o aproximou de pessoas que abriram sua mente para outras experiências. Foi nesse caminho que começou a produzir sets com remixes de músicas do próprio universo e, aos poucos, passou a estudar cada vez mais o DJing.


Isso não fez o cantor desaparecer.
“Tenho total consciência de que não sou cantor e não tenho técnica, mas tenho o principal: a diversão.”


Recentemente, Eros esteve ao lado de Cacau em “Vallenwood” e ainda possui outros projetos sendo gravados. “Amo passear por vários lugares”, resume.


O DJing também transformou sua maneira de enxergar a própria música. Criar sets trouxe uma percepção diferente sobre estrutura, ritmo, intenção e performance. Na composição, aumentou sua vontade de experimentar, remixar e misturar referências, entendendo que música também pode ser sobre criar momentos e sensações.
Grande parte desse olhar foi construída através das pessoas que encontrou pelo caminho.


Eros faz questão de destacar Simone, Aeron, Cacau, Ciane, Sofyh, Lana Light, Odete e Mari Maximoff, nomes que admira artisticamente, mas que também considera amigos e presenças importantes em seus projetos.
Entre suas referências de fora da comunidade estão Caio Prince e D. Silvestre, dois nomes que acompanha desde quando ainda sentia falta de DJs próximos nos quais pudesse se inspirar. Hoje, essa realidade mudou.
“Eu sou apaixonado pelos meus amigos, sou apaixonado pela arte da Mística, do Jeff, do Rodrigo, da Vic Madox e da Alice Peluso.”
Agora, algumas de suas maiores referências também estão dentro do próprio universo que ajudou a construir.

Essa rede de relações também atravessa a moda.


A Sickworld ocupa um lugar especial nessa trajetória, principalmente através de sua relação com Ayuna. Eros a descreve como alguém que, além de uma grande criadora, possui “uma mente artística muito foda”. Os dois compartilham referências musicais e conversas sobre arte que acabam indo além de uma simples parceria entre marca e artista.


Com a Bmesh, o vínculo também passa pela proximidade. Eros fala com carinho sobre Jeff, Dai e toda a equipe, destacando o apoio que recebe e a felicidade de fazer parte do projeto.


Música, moda, DJing e performance acabam, assim, coexistindo dentro da mesma trajetória. Eros não parece interessado em escolher qual dessas versões deveria prevalecer. Uma alimenta a outra.
Essa ideia de continuidade também aparece quando fala sobre a ELLU, projeto que acompanha desde o início e do qual também fez parte.


“A minha história com a Ellu é muito especial.”
Para Eros, a revista se tornou um palco de visibilidade para diferentes artistas e permaneceu fazendo arte mesmo atravessando críticas, baques e momentos turbulentos. Existe também um carinho particular por Klaus, que esteve à frente do projeto durante essa trajetória.


“Muitas vieram, muitas se foram, e ela continua firme aqui.”
Talvez seja curioso que alguém que se define pela constante mudança também valorize tanto aquilo que consegue permanecer.
Mas, para Eros, mudar nunca pareceu significar abandonar.


Do canto aos remixes, dos primeiros sets ao Baile of Cunt, da música à moda, cada experiência apenas adicionou uma nova camada àquilo que já existia.


E se existe uma frase capaz de conectar todas essas versões, talvez seja justamente aquela que nasceu com o Baile e acabou dizendo muito sobre o próprio artista:
“Nós chegamos para ficar e você também pode.”