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LANDON: BEYOND THE FRAME

Algumas carreiras começam com a certeza de onde se quer chegar. A de Landon, mente criativa por trás da Disasxter Studios, começou com uma descoberta: videoclipes dentro do FiveM podiam ser muito maiores do que ele imaginava.

Até conhecer os projetos da SCAT STUDIOS com as BIMBOS, Landon sequer considerava que aquele tipo de produção fosse possível dentro do jogo. Ver o trabalho acontecendo foi o estalo. Mais do que uma referência, tornou-se a prova de que existia ali um território criativo ainda esperando para ser explorado.

A transição, de certa forma, aconteceu naturalmente. Antes do FiveM, Landon já vinha de uma experiência com edições para fandoms no YouTube. A linguagem audiovisual não era exatamente desconhecida; o que mudava agora era o universo onde aquelas habilidades seriam aplicadas. Ainda assim, nem ele imaginava o que viria depois de seu primeiro videoclipe.

Foi com “Obsession”, de Patty Fooze, que a Disasxter começou a descobrir sua própria linguagem. E talvez a principal lição daquele primeiro trabalho tenha vindo justamente das coisas que não deram certo.

Muitas das ideias que Landon imaginava ainda esbarravam em limitações técnicas ou simplesmente não eram possíveis dentro do FiveM. Entre tentativas e erros, aprendeu uma das partes mais importantes do processo criativo: entender quando insistir em uma ideia e quando abandoná-la para encontrar outra solução.

Pouco depois, durante a produção de “Midnight”, de Kim Icon, veio uma percepção diferente. Landon começou a experimentar recursos e construir cenas que, até então, não costumava enxergar nos videoclipes produzidos dentro do FiveM. Era ainda um projeto do início de sua trajetória, quando havia muito para aprender, mas ver aquelas ideias finalmente funcionando trouxe a primeira sensação de que talvez existisse algo especial no que estava criando.

Com o tempo, experimentar deixou de ser apenas parte do processo e passou a se tornar uma das características da Disasxter.

Talvez nenhum projeto represente isso tão bem quanto “Who Dis?”, de RIBIN.

Landon considera o videoclipe um dos trabalhos dos quais mais se orgulha, não apenas pela complexidade da produção, mas pelo peso que o projeto carregava. Trabalhar com nomes que ele próprio enxergava como pioneiros daquela indústria trouxe uma responsabilidade diferente. Para ele, fazer justiça à história daqueles artistas não era apenas uma expectativa: era a única opção.

O resultado exigiu alguns dos maiores desafios técnicos que já havia enfrentado.

Entre acrobacias, cenas improváveis e aquilo que ele mesmo descreve como shenanigans, uma sequência se tornou especialmente memorável: Noelle dançando em cima de um carro enquanto o veículo atravessava a água. A ideia nasceu de uma interpretação quase literal da expressão “body aquatic” e Landon decidiu levá-la ao extremo.

É justamente nesse espaço entre uma ideia absurda e a tentativa de descobrir como torná-la possível que boa parte da identidade da Disasxter parece existir. Mas criatividade também depende de encontrar pessoas dispostas a construir junto.

Depois de um longo hiato dos videoclipes, Landon retornou quando “I Want It All”, de Shannon Gucci, apareceu inesperadamente em seu caminho. O projeto precisava de um bom estúdio para as gravações e foi então que ele entrou em contato com Salazar para perguntar se poderia utilizar o espaço da Viper.

O que poderia ter sido apenas uma colaboração pontual acabou se transformando em uma parceria decisiva.

Ao lado de Salazar, Felipe e da equipe da Viper, Landon encontrou uma estrutura onde conseguia explorar suas ideias com muito mais liberdade. Cenários, danças e diferentes necessidades de produção passaram a encontrar espaço dentro do estúdio, enquanto a qualidade das roupas desenvolvidas pela marca ajudava a ampliar ainda mais a construção visual dos projetos.

Para Landon, essa relação foi fundamental para levar a Disasxter Studios a outro nível. Mais do que isso, ele admite que talvez nem continuasse produzindo videoclipes se não tivesse encontrado esse apoio durante o caminho.

Essa vontade de expandir também começa a atravessar fronteiras.

Embora ainda considere trabalhos internacionais um desafio, principalmente pelas diferenças de idioma e pela logística envolvida, Landon teve recentemente sua primeira experiência com um girl group brasileiro ao trabalhar com a ONYXE. O encontro acabou deixando uma impressão bastante clara sobre a produção artística brasileira: qualidade e talento.

E os próximos capítulos já começaram a ser construídos.

Entre os projetos recentes está o videoclipe de estreia da girlFM, “Radio”, uma produção que Landon descreve como especialmente divertida e marcada pela experiência de trabalhar com artistas que considera extremamente talentosas. Ao mesmo tempo, uma nova colaboração com Shannon Gucci e Adrianna Garcia também começa a apontar para aquilo que vem depois.

Ainda assim, perguntar onde a Disasxter estará daqui a dois ou três anos talvez seja exigir uma resposta de alguém cuja própria trajetória foi construída justamente pelo inesperado.

Se essa mesma pergunta tivesse sido feita dois anos atrás, Landon dificilmente imaginaria que estaria onde está agora. Por isso, seus planos para o futuro parecem menos relacionados a um destino específico e mais à continuidade do processo: evoluir, experimentar e colaborar com artistas diferentes.

Existe, porém, uma nova ferramenta começando a mudar as possibilidades.

As limitações técnicas do FiveM tornam cada vez mais difícil encontrar caminhos completamente inéditos, e foi justamente essa barreira que levou Landon a começar a experimentar o Blender. Ainda são primeiros passos, mas a intenção é clara: utilizar a ferramenta para elevar seus videoclipes e, talvez algum dia, construir produções inteiramente dentro dela.

Porque, para Landon, criar nunca pareceu significar encontrar uma fórmula e repeti-la.

Seu conselho para quem deseja entrar hoje nesse universo parte exatamente dessa ideia, experimentar. Observar outros criadores pode ensinar muito, mas simplesmente reproduzir aquilo que já foi feito dificilmente constrói uma identidade. É preciso desenvolver um ponto de vista próprio, entender aquilo que torna cada criador diferente e, principalmente, continuar aprendendo mesmo depois de descobrir o que funciona.

Talvez seja por isso que estar nas páginas da ELLU tenha provocado nele uma sensação diferente.

Acostumado a permanecer atrás das câmeras enquanto outras pessoas ocupam o centro de seus projetos, Landon admite que ser o foco de uma história parece quase surreal. O convite também trouxe uma percepção que nem sempre é óbvia para quem trabalha nos bastidores: existem pessoas observando, acompanhando e valorizando aquilo que ele cria.

E, entre tantas cenas, sets, artistas e ideias que pareciam impossíveis até alguém decidir tentar, talvez exista uma mensagem que Landon gostaria que permanecesse.

Há espaço para todo tipo de criativo nessa comunidade.

A Disasxter Studios, afinal, nasceu justamente assim. Não de um plano perfeitamente calculado, mas da curiosidade de alguém que viu o que era possível, decidiu experimentar e continuou se perguntando até onde poderia levar a próxima ideia.