Quando Miguel Senju ouviu seu nome ser anunciado como Modelo do Ano no ELLU Awards 2026, sua primeira reação foi quase nenhuma. Por alguns segundos, ele simplesmente travou. Mesmo reconhecendo o trabalho que havia construído durante o ano, ganhar um dos principais títulos da noite parecia algo distante. A surpresa rapidamente deu espaço à felicidade e, principalmente, à gratidão. Ao subir ao palco e observar a comemoração dos outros modelos ao seu redor, Miguel percebeu que aquela conquista não representava apenas o reconhecimento de um trabalho individual, mas também carregava consigo todas as pessoas, marcas e projetos que fizeram parte de sua trajetória.
Uma trajetória que, curiosamente, nunca começou como um grande plano de carreira. Antes dos desfiles, campanhas e premiações, fotografar dentro do metaverso era, para Miguel, principalmente uma forma de diversão. Ele gostava de desenvolver conceitos, criar imagens diferentes e experimentar possibilidades através da estética. Aos poucos, começou a publicar alguns desses trabalhos e percebeu que havia interesse do público na maneira como construía suas imagens. Os elogios começaram a aparecer, assim como os primeiros convites. Entre uma campanha e outra, novas conexões surgiram e, quando se deu conta, aquilo que havia começado de maneira espontânea já estava se transformando em uma verdadeira carreira como modelo.

Nesse processo, existiu um trabalho que funcionou como uma espécie de confirmação de que aquele era realmente o caminho que queria seguir: um desfile da SickWorld na Unsafe Zone. A coleção tinha uma forte influência do streetwear, estética com a qual Miguel sempre se identificou, e ver o resultado daquele trabalho, acompanhado da repercussão que o desfile recebeu, provocou nele um sentimento diferente. Depois de participar de tantas campanhas e projetos, foi naquele momento que surgiu o pensamento definitivo: era aquilo que queria continuar fazendo.
A relação com a SickWorld acabaria se tornando ainda mais importante nos capítulos seguintes de sua carreira. Entre os trabalhos dos quais participou, Miguel aponta o desfile da marca na Spicy como o mais marcante de sua trajetória. Não apenas pela dimensão do projeto, mas principalmente pelo simbolismo daquele momento. Ele esteve entre os primeiros homens a ocupar a passarela da Spicy, em uma iniciativa que ampliava a participação masculina dentro de um dos projetos mais conhecidos da cena.
Representando a SickWorld e apresentando a coleção Good Bless, Miguel fazia parte de uma proposta que considera inédita dentro daquele universo. Entrar naquela passarela veio acompanhado de um enorme frio na barriga. O nervosismo estava presente, mas dividia espaço com a felicidade de finalmente viver uma experiência que desejava desde o início da carreira.
O momento também reforçou algumas relações que Miguel considera fundamentais em sua história. Ele demonstra gratidão a Sasha Pompom e Allison Bohs pela oportunidade de participar daquele marco, além de destacar o papel de Ayuna, responsável pela SickWorld, como alguém que acreditou em seu potencial, apoiou seu desenvolvimento e confiou em seu trabalho. Para ele, a Sick deixou de representar apenas uma marca com a qual trabalhou para ocupar um espaço afetivo em sua trajetória. Foi dentro de projetos ligados à marca que viveu experiências responsáveis por ajudar a moldar parte de sua identidade na cena.
Essa identidade, aliás, é algo que Miguel parece ter aprendido a compreender ao mesmo tempo em que sua carreira evoluía. No início, ainda existia um processo de descoberta, não apenas sobre como a indústria funcionava, mas também sobre qual espaço ele queria ocupar dentro dela. A experiência adquirida em campanhas e desfiles, somada às pessoas que conheceu pelo caminho, trouxe uma confiança que antes ainda estava sendo construída. Hoje, ele se considera muito mais seguro em relação ao próprio trabalho, sem acreditar, no entanto, que tenha chegado a uma versão definitiva de si mesmo. Para Miguel, sempre existe algo novo para aprender.
Essa ideia de transformação constante também aparece quando ele tenta explicar o que o diferencia dos outros modelos da cena. Em vez de se prender a uma única estética, Miguel prefere apostar na versatilidade. Cada campanha funciona como a possibilidade de apresentar uma nova versão de si mesmo. Ele gosta de mergulhar na identidade proposta por cada trabalho, experimentar estilos diferentes e aceitar desafios sem abandonar a própria essência.
Mais do que produzir uma fotografia esteticamente bonita, existe a preocupação de criar algo que carregue personalidade. Miguel não quer que um trabalho seja lembrado apenas pela roupa, cenário ou edição, mas também pela história que aquela imagem consegue transmitir. A busca pela reinvenção acabou se tornando uma das principais características de sua imagem como modelo.

Foi também através dessa construção que outro lado de sua carreira começou a se desenvolver: o de influencer de grandes marcas. Assim como aconteceu com a modelagem, Miguel conta que essa transição não foi planejada. A visibilidade adquirida através de campanhas, editoriais e propagandas fez com que seu nome começasse a circular ainda mais, atraindo marcas interessadas em associar seus projetos à imagem que ele vinha construindo.
Agora, com o título de Modelo do Ano, naturalmente surgem novas expectativas sobre seus próximos passos. Miguel, entretanto, não parece interessado em tratar a conquista como o auge de sua carreira. Para ele, o prêmio representa muito mais um novo começo do que um ponto final. Existe o desejo de continuar se desafiando, experimentar novas propostas e entregar trabalhos cada vez melhores.
Seu objetivo é fazer com que, no futuro, seu nome não seja lembrado apenas por ter conquistado o título em 2026, mas principalmente por tudo aquilo que conseguiu construir depois dele.
Receber esse reconhecimento através da própria ELLU, revista responsável agora por revisitar sua trajetória, também possui um significado particular. Miguel define a publicação como uma plataforma necessária dentro da cena por conseguir dar visibilidade a modelos, marcas e criadores, ao mesmo tempo em que registra acontecimentos que acabam se tornando parte da própria história do metaverso.

E talvez seja justamente essa ideia de registro que torne o atual momento de Miguel Senju tão interessante. O prêmio reconhece tudo o que já aconteceu, os primeiros trabalhos feitos quase por diversão, as campanhas, a entrada nas passarelas, a relação com a SickWorld, a chegada à Spicy e a consolidação como modelo e influencer. Mas, para ele, o título parece funcionar principalmente como uma fotografia de um momento específico de uma carreira que ainda pretende continuar se transformando.
Entre novas versões de si mesmo, novas campanhas e novos espaços a ocupar, Miguel segue com uma característica que esteve presente desde suas primeiras fotografias: a vontade de experimentar. E, depois de um ano que terminou com seu nome sendo chamado no palco do ELLU Awards, a próxima pergunta deixou de ser como ele chegou até aqui. Agora, é descobrir até onde ainda pretende chegar.