Como a Copa do Mundo reacendeu o desejo por roupas curtas, cores vivas e uma brasilidade que recusa esconder o corpo
Há estações que terminam no calendário e outras que terminam de verdade, na pele, no armário, no jeito de se vestir. Este ano, o verão ficou para trás nas datas, mas insiste em permanecer nas escolhas. Entre a lembrança do calor e a euforia coletiva de uma Copa do Mundo, a moda brasileira encontrou um território raro: o de continuar em festa mesmo depois que a festa, oficialmente, acabou.
Não é nostalgia. É consequência. A Copa devolveu ao país um pretexto de exibição, bandeiras nos ombros, verde e amarelo na pele, o corpo como forma de torcida. E o que era um símbolo de patriotismo virou, quase sem perceber, um símbolo de estilo. As coleções que hoje se destacam não tentam prolongar o verão: elas o reinterpretam, como se o calor tivesse deixado de ser estação e passado a ser atitude.
MIDNIGHT SUN — BLOSSOM STORE
A Blossom Store abriu esse ciclo ainda em março, com a coleção Midnight Sun, inspirada no hit homônimo da sueca Zara Larsson. Entre estampas florais e uma paleta vibrante, a marca uniu peças femininas, masculinas, acessórios e calçados numa proposta que trata o verão menos como clima e mais como personalidade — algo que se veste, independentemente da temperatura lá fora.
MADE IN BRASIL — VS MODS
Já a VS Mods foi direto ao ponto com Made in Brasil, lançada no início de julho. O verde, o azul e o amarelo da bandeira deixam de ser referência patriótica e viram paleta de moda, presentes em peças femininas e masculinas, acessórios e calçados. É verão e Copa na mesma costura — a brasilidade como estampa, não como discurso.
RIOWORLD — SICKWORLD
A Sickworld levou o olhar para o Rio de Janeiro em Rioworld, divulgada no fim de junho. Biquínis, sungas, saltos, camisetas e bonés compõem um guarda-roupa que fala a língua do calor carioca, cores que gritam, estampas que remetem à bandeira e um espírito que parece ter sido feito para durar além do verão que o inspirou.
O CALOR DO HEXA — ALELUIA STORE
Talvez nenhuma coleção sintetize melhor esse encontro entre futebol e moda do que O Calor do Hexa, da Aleluia Store, lançada em junho. Biquínis, shorts e croppeds nas cores da bandeira traduzem o clima de torcida em forma de roupa, e o gesto de disponibilizar a coleção gratuitamente no Patreon reforça uma ideia central: nesse momento, vestir o verão e vestir o Brasil viraram a mesma coisa.
YUMMY SUMMER — VIPER COUTURE
E se o verão é, também, um estado de espírito, Yummy Summer, da Viper Couture, prova que ele não precisa de data para existir. Lançada em 2023, a coleção segue atual, biquínis, sungas, saídas de praia e shorts que carregam uma atemporalidade rara, provando que peças bem pensadas não seguem calendário, seguem desejo.
O que essas coleções têm em comum não é apenas a estação que as inspirou, mas o momento que as sustenta. A Copa do Mundo devolveu ao brasileiro uma vontade quase física de se vestir de identidade, de usar as próprias cores, de encurtar as roupas, de deixar o corpo respirar o calor que a bola despertou. O verão, nesse sentido, nunca foi só sobre temperatura. Sempre foi sobre disposição.
As estampas continuam vibrantes. Os tecidos continuam leves. E o desejo por cor, corpo e Brasil segue firme, como se, no fundo, a estação nunca tivesse ido embora de verdade.