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A MILF QUE VIROU LENDA DAS PISTAS E DOS NEGÓCIOS

Diana Hyperion: De garota de programa a produtora de eventos, uma reviravolta de tirar o fôlego

Diana Hyperion — Foto: Reprodução/ELLU MAGAZINE

Existem trajetórias que não seguem uma linha reta, mas um caminho feito de reinvenções: quem começa lavando carro numa mecânica de bairro dificilmente imagina que, alguns anos depois, estará à frente dos maiores fashion shows e festivais das cidades. Essa é a história de Diana Hyperion, uma mulher que construiu seu nome ocupando espaços que muitas vezes não foram pensados para ela, e que fez da irreverência, da sensualidade e da liderança sua própria assinatura. No caminho, ouviu que sensualidade e competência não deveriam andar juntas, sentiu o peso do etarismo e do preconceito estrutural, e ainda assim seguiu produzindo experiências que reúnem multidões.

Foi na noite, à frente do Vanilla, que Diana começou a desenhar o que viria a se tornar sua marca registrada: entregar não apenas festas, mas vivências que o público carrega na memória. Dali nasceram o primeiro Fashion Show, o primeiro Burning, e uma família que ela escolheu e que a escolheu de volta, a Montgomery e a Prinxx. Hoje, como Leader Team da Viper Couture, Diana segue à frente da operação por trás dos maiores desfiles da marca, equilibrando o rigor da profissional com o carinho da mãezona que se tornou referência dentro e fora das passarelas. A seguir, a entrevista na íntegra.

Quem conhece a Diana Hyperion hoje vê uma mulher à frente de grandes projetos, mas como tudo começou? Quem era a Diana antes de se tornar um nome tão conhecido na cena de eventos da cidade?

Nossa, teremos que voltar alguns aninhos atrás, meados de 2019 e 2020, em uma cidade chamada Savage, onde eu a chefe de família, junto com minha irmã Gaya Hyperion e minha filha Gabriela Hyperion assumimos uma mecânica. E lá ficamos bem conhecidas por atendimentos personalizados, uma mecânica predominantemente de mulheres e com música boa. Eis que me surge a PRIMEIRA ideia de fazer um EVENTO o CAR WASH. Basicamente eram as meninas de biquíni com cinto de acessórios de mecânica, e os meninos controlando o carro de som, e o caminhão de bombeiro com jato de água. Simples, porém inexplicável, foram mais de 5 horas dando ducha em veículos e a fila não para de crescer. Eu e as oito meninas na época amamos a experiência e nos divertimos muito. Depois disso, recebi vários incentivos de abrir minha própria cidade, e veio Olimpo RP, em 2021, foi um aprendizado incrível, onde tive a oportunidade de conhecer a Savana e sua loja Ajna Mods, comprando coleções de festa Junina, o Pride, o primeiro Vanilla com motel, cidade com eventos de desfiles, PARADA LGBTQIA+, estávamos decolando, crescendo muito rápido pra aquela época, porém tudo que vai rápido, cresce a cabeça, na época eu tinha um sócio (filho) hetero, que sempre mimava as namoradinhas rs. E um belo dia ele resolveu trocar todos os acessos, e chegava ao fim de um sonho lindo, que me deu muitos prazeres. Mas durante toda essa caminhada, conheci pessoas incríveis, e parte de algumas amigas estavam na Style e aí que tudo começou. Cheguei na cidade com minha família pra trabalhar no Vanilla como dançarina, no início destaquei bastante com danças exclusivas e personalizadas, dando ideias de festas temáticas, ajudando a contratar novas meninas, logo vi estava à frente de toda a gestão da boate. E foi aí que o dono da cidade me propôs assumir o Vanilla Style.

Sua trajetória passou pelo Vanilla e por uma fase que muitos lembram com carinho. Como você enxerga essa evolução, de uma figura marcante da noite para uma das maiores produtoras de eventos das cidades?

É um sentimento muito lindo de reconhecimento e conquista. Não que uma figura da noite tenha demérito que qualquer outro, mas é o fato de você quebrar paradigmas e rótulos, mostrar que não há limites quando você faz o que ama.

Existe algum momento específico em que você percebeu que queria deixar de ser apenas uma personagem das noites para se tornar alguém que criaria experiências para centenas de pessoas?

Esse dia eu lembro perfeitamente, foi quando conheci Madison Montgomery através da minha filha Natalia Montgomery, a Mady estava com a mini coleção de Halloween o ano era 2022 e o Percier queria fazer um desfile, e a Night fez toda articulação entre a gente, falando olha minha mãe é a dona do Vanilla, ela tem bastante influência e conhecimento, faz várias festas na cidade, ela cuida de toda organização, convites e tals. E foi nesse momento que assumi o primeiro Fashion Show o The Blood Night da Viper Couture, um desfile dentro da igreja, com temática Halloween, foi algo inédito, vieram pessoas de várias cidades, e foi um evento memorável para aquela época. Após esse sucesso, essa experiência única e criando laços mais fortes, a Mady queria muito um festival, e a Night sempre me incentivando e apoiando, e veio o primeiro Burning. Eu queria algo grandioso, futurístico, algo jamais realizado, e juntamente com uma mente brilhante em mapas Ashlyn Versace, entreguei o maior festival tanto em público, quanto em artistas performando. E é nesse momento que nasce a Diana Hyperion dos Eventos.

Diana Hyperion — Foto: Reprodução/ELLU MAGAZINE

Quais foram as cidades mais marcantes do seu currículo? Qual te marcou mais? Style, One e Street. Cada uma tem sua história registrada em mim, cada uma com eventos únicos.

A que mais me marcou, de fato, foi a Style, pois lá a Diana do Vanilla, surge como Diana dos Eventos, sendo responsável pela cidade. Style teve o primeiro Vanilla com Shows lotados (Bella Parker, Odete Boquet, Xuxa Majestic, Lolla Gabbana, Sammy), o primeiro Fashion Show e o primeiro Burning. Eu sou muito grata pela oportunidade, o reconhecimento que eu tive lá, e o mais importante a família que eu conquistei Montgomery e Prinxx. A One, já traz memórias afetivas de eventos grandiosos, como o Pose, onde tive oportunidade de conhecer meu filhe Salazar, e inúmeras pessoas de cidades vindo participar, que inclusive pedem até hoje uma nova edição, além de ter meu primeiro Evento com o casting Viperas, o Musa do Verão, onde os participantes tinham que apresentar looks, e no final, tinham que performar a música Musa do Verão. Esse me marcou muito, pois a Julia Blakk, estava em terceiro lugar na pontuação geral, mas quando chegou na performance, a nossa mina mais gostosa da favela entregou tudo, fala dela!

Seus eventos costumam reunir multidões e movimentar diferentes públicos. Na sua visão, qual é o segredo para transformar uma ideia em um evento memorável?

Você tem que imaginar além, focar no público que você quer atingir, e trazer uma experiência memorável que eles irão comentar por tempos. 

Entre tantos festivais, festas e produções, existe algum evento que representa um divisor de águas na sua carreira? Por quê?
Complicado dizer um, porque a gente sempre cria um carinho especial com o primeiro Evento, no caso o Burning me deu nome, pois a partir dele eu conquistei um público e amigos muito fiéis às minhas produções, e o POSE foi a confirmação de que independente a produção seja, desfile, festival a Milf aqui sabe entregar uma Mega Evento.

Como nasce um evento da Diana Hyperion? Você começa pela temática, pela música, pelo público ou pela emoção que quer despertar?

De diversas formas e inspirações, por exemplo: O Baile das Patroas, era uma festa do Vanilla, inspirada na Anitta, nasceu com a música “Tá com o Papato”, onde no seu verso ela diz: “chegou a patroa, não desço do salto…”, ele sempre iniciava com as meninas do Vanilla performando alguma música da Anitta do momento, além de ter convidados para fazer shows, onde as próprias dançarinas do Vanilla dançavam com os cantores. Já outros foram inspirados em despertar a emoção do público, eu queria muito que a comunidade vivenciasse um momento Ballroom, ou grandes festivais, unindo grandes gerações da música. É muito do que eu estou sentindo no momento e quero transmitir para as pessoas, sempre busco inovar e entregar a melhor experiência possível.

Hoje você é referência quando o assunto é criar experiências. Como você consegue identificar o que cada público espera de um evento?

Eu sempre fico atenta nas cidades, o que outros produtores estão trazendo e principalmente no que o público está comentando. Sei que, se for festival, preciso trabalhar com performance que traga uma crescente, montar um line-up onde consiga segurar o público até o final, e entregar uma experiência única. Já para outras produções, sempre penso em um momento que seja impactante, e que vai ficar gravado na memória deles.

Além dos eventos, você ocupa uma posição de grande responsabilidade dentro da Viper Couture. Qual é exatamente o seu papel lá? Como foi o seu começo até o momento que se encontra agora dentro da marca?

Hoje eu sou Leader Team da Viper, acima de mim só a Madison mesmo, beijos Paty e Malik, brincadeiras à parte, eu desempenho o papel operacional envolvendo os Fashion Shows, as Viperas e os Influencers. No começo fui convidada para organizar o primeiro Fashion Show, depois como modelo no Photoshoot, até chegar como Vipera, ao mesmo tempo que minha Influência crescia nos eventos com os donos de cidades, e a marca também decolava, passei a ficar responsável pelos Fashion Shows, isso engloba desde a negociação até o desfile. E a cada ano que passa foi se tornando algo maior, imensurável, onde houve a necessidade de ter o Viper Team, onde cada um fica responsável por cada setor da marca, seja iconografia, cinemakers, Viper Sound, Direção Criativa e a Operacional que é o meu caso.

Muito do que o público vê nos grandes desfiles e ações da Viper passa por você. Como funciona esse trabalho de selecionar cidades, organizar eventos, coordenar fashion shows e acompanhar seletivas?

É um trabalho muito árduo, longo e cansativo. São meses de dedicação, planejamento e negociações para que tudo aconteça em alguns dias e em tão poucas horas. Porém é o projeto que mais amo, poder realizar, dar vida às peças na passarela e entregar uma experiência incrível ao público é simplesmente imensurável.
Como se fosse, eu retribuí o carinho que eu recebi todos esses anos pela marca, o público e os usuários que têm a oportunidade de participar dessa experiência desfilando.

Diana Hyperion — Foto: Reprodução/ELLU MAGAZINE

O que mais te motiva em fazer parte de uma marca que se tornou referência dentro do FiveM?

Além de ser a marca da minha filha, a qual eu tenho muito orgulho, e sou eternamente grata por ter confiado a mim todos esses anos os Fashion Shows, a Viper não é só uma marca de vestuário. A Viper Couture representa a diversidade de uma comunidade que sempre se expressou, que nunca aceitou um modelo único, ou padrão. A cada ano que passa, ela inova e se supera, e é esse o motivo que me mantém todos esses anos, por ser único no que fazemos.

Você mesma brinca sobre seu lado “baranga” em alguns momentos. De onde vem essa leveza para rir de si mesma e transformar isso em parte da sua identidade?

Eu acho que baranguice chegará para todos um dia, cedo ou tarde, para alguns mais, outros menos, e há alguns que tentaram esconder. Mas não tem coisa mais gostosa você saber usar isso, ouço muito minhas filhas “ai não mãe, isso ai ta muito baranga” ou “isso tá a cara da Diana” (principalmente da Mady, Paty, Night e Marcella), e eu vou e uso do mesmo jeito e elas têm que engolir.

Liderar também significa lidar com desafios. Qual foi a situação mais difícil que você enfrentou como coordenadora e o que ela te ensinou?

Impossível você confiar 100% na palavra de uma pessoa, se você contrata um serviço, precisa acompanhar o desenvolvimento e o projeto precisa ser entregue no prazo contratado. O momento mais delicado de todos foi o Fashion Show de Armageddon, simplesmente estava tudo atrasado, todos estávamos cansados e exaustos com a demora, contudo mesmo com a quase desistência nos apoiamos uns aos outros e entregamos o evento.

Você costuma falar da importância da família e é vista como uma figura materna para muitas pessoas, especialmente para as Prinxx e os Montgomery. O que esse papel representa para você?

Elas são tudo pra mim, tudo que eu construí, foi através do apoio delas, porque elas acreditaram e estiveram em todos os momentos do meu lado (alguns não neh Aika kkk). E a forma que eu tenho de agradecer é cuidar delas, protegê-las, eu sou a maior fã delas. E nessa vida a gente tem a oportunidade de criar laços eternos, e é uma escolha natural, linda quando você encontra uma amizade de alma.

Como você consegue equilibrar a figura exigente com a mãezona que tanta gente conhece nos bastidores?

Às vezes complicado, porque eu sempre deixo claro, e evidente que quando estou trabalhando, é a Diana profissional, e as pessoas esquecem disso, e acaba saindo uns berros e umas chamadas não tão carinhosas que eles se espantam. Mas no final dá tudo certo, e eles entendem que foi necessário.

A sensualidade sempre esteve presente na construção da Diana Hyperion. Você acredita que esse traço ainda é visto com preconceito quando vem acompanhado de liderança e competência?

Com certeza, as pessoas ainda rotulam que sensualidade é falta de algo, seja de inteligência, de caráter, ou de profissionalismo. Ou que você só chegou onde está através da sensualidade. Claro que hoje menos do que alguns anos atrás. Mas é como preconceito estrutural, e pra mim sempre houve dois pesos da mulher sensual e o etarismo. Contudo nunca me abalou pra fazer o que eu amo. Panela Velha que faz comida BOA.