
ELLU: Olá, Bo Alys. Para começarmos olhando para o caminho que você construiu até aqui, em que momento da sua carreira você sente que está hoje?
Bo Alys: Sinto que estou em um momento de contemplação. Durante muito tempo enxerguei a carreira como movimento constante, mas hoje entendo a importância de observar o caminho com calma, quase como quem aprecia uma obra sendo pintada e construída aos poucos. Existe muita gratidão em perceber tudo o que vivi até aqui e entender que cada fase teve um propósito. Me sinto em uma fase mais madura artisticamente.
ELLU: Você foi eleito Model of the Year 2025 no Ellu Awards. Esse reconhecimento chega para você como uma validação, responsabilidade ou uma mistura dos dois? E o que essa vitória representa para você além do troféu?
Bo Alys: Foi a realização de um grande sonho e também um lembrete de que vale a pena continuar criando com verdade e acreditando na minha visão artística. Esse reconhecimento representa todas as pessoas, marcas, revistas, agências e profissionais que cruzaram meu caminho, acreditaram em mim e fizeram parte dessa construção, e a ELLU certamente ocupa um lugar muito especial nisso. Junto disso, sinto também uma grande responsabilidade de continuar evoluindo sem perder minha essência.
ELLU: Durante sua carreira, você teve um período de afastamento. Aquilo foi uma pausa estratégica, uma necessidade pessoal ou apenas um momento de recalibrar o caminho?
Bo Alys: Foi um período saudável, no qual me permiti abrir um espaço necessário de descanso, silêncio e recalibragem para uma nova fase, afinal, pausas também fazem parte do processo criativo e da evolução artística.

ELLU: Depois desse período, podemos esperar o Bo Alys com força total este ano?
Bo Alys: Sem dúvida! Talvez não da forma mais óbvia. Estou voltando com mais visão criativa e mais consciência sobre aquilo que quero construir. Acho que as pessoas talvez sintam uma versão mais sólida e ainda mais autoral de mim.
ELLU: Olhando para a sua trajetória, quais trabalhos você destacaria como o melhor e o mais desafiador?
Bo Alys: Adoraria poder citar nome por nome, mas a verdade é que todos foram muito importantes para mim, porque amei fazer cada um deles! (E a lista ficaria enorme hahaha). Foram escolhas conscientes, em que meus propósitos foram genuínos. Costumo dizer que os melhores trabalhos são aqueles em que consigo sentir arte acontecendo de verdade. Quando existe troca, contribuição, sensibilidade e aprendizado, tudo ganha mais significado e, por sorte, tive o prazer de sentir isso em todos eles. Também foram desafiadores justamente porque me fizeram crescer não apenas profissionalmente, mas internamente.
ELLU: Por falar em tempo, no início da sua carreira, quais eram suas referências e inspirações? Hoje elas permanecem ou você passou a se inspirar em outros nomes, marcas e estéticas?
Bo Alys: Com certeza permanecem. Minhas referências sempre incluíram a alta moda, mas também música, cinema (adoro old hollywood!), teatro, arquitetura, fotografia e cultura. Acho que minha estética está se tornando cada vez mais sensorial, emocional e menos literal com o tempo.

ELLU: Já dizia Zygmunt Bauman: “Vivemos em tempos líquidos. Nada foi feito para durar.” Pensando nesse cenário atual, em que tudo muda muito rápido, como você faz para manter sua identidade sem se perder nas tendências?
Bo Alys: Acredito que identidade nasce quando você aprende a se escutar. As tendências mudam o tempo inteiro, mas a essência tem outro ritmo. Tento não criar a partir da ansiedade de acompanhar tudo, e sim da vontade genuína de expressar algo verdadeiro. Acho que aquilo que realmente toca as pessoas sempre permanece um pouco mais.
ELLU: O seu visual é muito reconhecível, especialmente pelo bigode. Isso foi pensado ou surgiu de forma natural?
Bo Alys: Confesso que não imaginei que isso se tornaria algo tão associado à minha imagem. Mas gosto disso, porque mostra como muitas coisas também podem acontecer sem cálculo, apenas fluindo naturalmente.
ELLU: O público em geral costuma ver o modelo, o artista, a imagem pronta. Mas o que existe por trás de Bo Alys que pouca gente enxerga ou conhece?
Bo Alys: Existe alguém muito contemplativo. Gosto de observar as pessoas, a arquitetura urbana, a natureza, os detalhes, os silêncios e a passagem do tempo. Acho que minha relação com a arte nasce justamente dessa sensibilidade de sentir o mundo antes de transformá-lo em imagem.
ELLU: Se tivesse que definir essa nova fase em uma palavra ou frase, qual seria?
Bo Alys: “Aesthetic Signature.”
ELLU: O que você espera que as pessoas sintam quando veem o nome Bo Alys em um trabalho novo?
Bo Alys: Espero que possa despertar boas sensações e experiências, nada necessariamente específico. A arte muitas vezes não precisa de uma explicação clara, ela simplesmente faz você sentir algo, viver algo. E eu amo isso!

ELLU: E pensando daqui para frente, o que você ainda quer conquistar que talvez as pessoas ainda não saibam?
Bo Alys: Busco continuar expandindo meu universo criativo de forma sensível e consciente. Tenho vontade de participar de projetos mais autorais, ligados à direção criativa e a narrativas visuais profundas. Mas, acima de qualquer conquista, o que mais quero é continuar preservando o encantamento, a paixão e a empolgação que sinto ao criar.
ELLU: Para fecharmos nossa entrevista, há alguma pergunta que você gostaria que fosse feita, mas que ninguém costuma te perguntar? E fique à vontade para responder.
Bo Alys: Talvez: “O que a arte te ensinou sobre a vida?”
E eu responderia que a arte me ensinou a viver, a expressar, a sentir a vida profundamente e a olhar tudo com mais calma. A perceber beleza no imperfeito, valor no processo e poesia nas coisas simples. Ela me ensinou a contemplar o passado, a pintar o presente, e a visualizar os sonhos do futuro. Acho que, no fundo, criar também é uma forma de agradecer, contribuir e retribuir ao presente que é estar vivo neste universo.