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Criar até se sentir completo: a história de Aly Peters

CONFIRA ABAIXO A ENTREVISTA EXCLUSIVA Aly Peters

Tem gente que fala demais para ser vista. Aly Peters prefere criar. É com essa lógica que o jovem artista construiu, aos poucos e com muita intensidade, uma das identidades visuais mais reconhecíveis da cena: a Malefic.

Tudo começou de forma natural, quase involuntária. Antes mesmo de pensar em construir algo grande, Aly passava horas consumindo estéticas, clipes e projetos que conseguiam transmitir personalidade através do visual. Quando encontrou o Blender, sentiu que finalmente tinha uma linguagem para tirar da cabeça aquilo que nunca conseguia explicar em palavras.

“Não estava apenas criando projetos… estava criando presença.”

O momento de virada foi quando as pessoas começaram a reconhecer seu trabalho sem precisar ver o nome. Batiam o olho e diziam: “isso lembrou a vibe do Aly”, ou “parece algo da Malefic”. Foi aí que a ideia pequena dentro da cabeça se tornou uma marca com alma própria.

Aly não esperou a tendência chegar. Queria aprender Blender muito antes de a ferramenta se popularizar na comunidade porque tinha muitas ideias e precisava de uma forma de organizá-las. Às vezes nem sabia o que queria criar no começo: simplesmente ia montando, testando, e o projeto surgia naturalmente.

Sua essência visual é marcada por intensidade e identidade. Quem o conhece de longe pode achar que é fechado ou sério demais. Quem convive percebe o oposto: alguém tranquilo, confiável e extremamente dedicado. Um “caixão fechado”, como ele mesmo define, discreto, mas presente quando importa.

“Quero que as pessoas olhem para meus projetos e sintam personalidade ali dentro.”

Antes mesmo do Blender, a música já era a principal porta de entrada de Aly para o lado criativo. Com o tempo, ouvir e analisar faixas despertou nele a vontade de criar algo próprio. Hoje, trabalha em um projeto musical experimental com influências de Mr.Kitty e Artemas artistas com os quais diz se enxergar.

Para ele, a música é mais vulnerável do que o trabalho visual. No 3D, ainda dá para esconder partes de si atrás da estética, dos cenários e dos conceitos. Na música, não existe muito onde se esconder. E talvez seja exatamente isso que torna tudo mais verdadeiro.

O que Aly quer que as pessoas sintam ao ouvi-lo? Pertencimento. Aquela sensação de estar dentro de casa enquanto uma nevasca acontece do lado de fora, seguro, perto da lareira. Se a música conseguir causar isso em alguém, mesmo que por alguns minutos, já terá valido a pena.

“Quando o momento chegar, as pessoas podem estar ouvindo minha alma cantando.”

Lucca, Gica e Kize estiveram no começo de tudo. Matth representa parceria verdadeira alguém que influenciou profundamente o lado artístico de Aly, talvez sem nem perceber. Mady Montgomery simboliza carinho, respeito e reciprocidade. E Keket, uma relação construída em respeito mútuo e profissional.

Aly reconhece que é esquecido às vezes, meio perdido até. Mas quando realmente quer que algo aconteça, faz acontecer. A própria Malefic é a maior prova disso.

Algumas pessoas falam demais para serem vistas.
Ele prefere criar.