CONFIRA ABAIXO A ENTREVISTA EXCLUSIVA COM LARISSA POMPOM
Entre reinvenções, cabelos coloridos, palcos grandiosos e sonhos que pareciam
impossíveis, Larissa Pompom transformou autenticidade em sua maior assinatura. Dona de
uma trajetória marcada por coragem, sensibilidade e uma paixão inabalável pela música, a
artista se consolidou como um dos maiores ícones do artístico atual, sem nunca abandonar
a essência da garota que encontrou na música um refúgio e no caos, sua própria
identidade. Na capa deste mês da Ellu, Larissa abre o coração sobre os altos e baixos da
carreira, os bastidores da In The Zone, os desafios que enfrentou até chegar ao topo e os
sonhos ainda guardados para o futuro.

ELLU: Vamos começar pelos primeiros passos da pequena Larissa de cabelo preto e branco, como foi o começo de tudo?
Larissa: Eu meio que caí de paraquedas nesse universo todo. Eu já tinha ouvido falar do FiveM, assistia e acompanhava livestreams (assim como a grande maioria de quem faz parte do nosso meio) e sempre quis jogar, mas não tinha como devido a limitações técnicas. Quando finalmente consegui, lembro de ficar um tempão assimilando todas as possibilidades que esse universo oferecia pra gente. Meu começo foi… caótico, eu diria! Eu nunca tava satisfeita com uma coisa só, porque na minha cabeça tinha tanta coisa pra poder aproveitar, tantas possibilidades… Por que eu deveria ficar com uma única cor de cabelo ou penteado quando tinham tantos na loja? E essa necessidade de tentar de tudo como se o mundo fosse acabar amanhã dura até hoje, eu acho. Isso fez com que o começo fosse meio difícil, pois naquela época as pessoas te associavam a um penteado e a uma cor de cabelo específica, e eu nunca fui de seguir muito isso, sabe? Já tive cabelo loiro, ruivo, verde, castanho, branco, preto… Até aterrissar no rosa e azul. Eu passei muito tempo tentando encontrar meu próprio ritmo, tentando entender quem eu queria que a Larissa fosse, a estética, o jeito, enfim… Por isso que digo que o início foi bem caótico.
ELLU: Em que momento você teve objetivo de ser cantora e seguir esse caminho que segue hoje? Alguém te inspirou ou incentivou?
Larissa: Acho que todo mundo que gosta de música e faz parte do artístico sempre teve uma conexão íntima com o que faz – nesse caso, eu sempre encontrei na música um refúgio, aquele papo clichê de que eu conseguia me achar e me entender de uma outra forma quando eu ouvia minhas artistas favoritas e fazia shows para meus gatos na sala de casa. Quando eu conheci o artístico de fato no Coral da Simone em Beverly Hills, mais uma vez eu fiquei maravilhada com as possibilidades que esse universo oferece pra gente. O Coral definitivamente me inspirou – todo mundo unido por um único motivo, cantando independente de saber ou ter técnica, até hoje a magia daquelas noites ressoa em mim. Lembro de conhecer a Odete na Padaria Cartier pouco depois do lançamento de Namorada e pedir dicas pra ela de como podia fazer isso, de como eu podia me tornar uma cantora e exercer a criatividade e sonhos que eu tinha caso fosse uma. A Simone, gente… Naquela época e até hoje eu vejo a Simone como uma das maiores popstars que o nosso meio tem. Eu, a Samantha e a Sasha sempre fizemos tudo juntas, então nós meio que entramos na música juntas também, e isso tem um peso e um impacto muito especial pra mim, então elas também me inspiraram e me incentivaram bastante a nunca desistir e ir atrás do que eu queria fazer.
ELLU: Quais foram os percalços desse início? Você enfrentou muitos desafios?
Larissa: Encontrar quem eu queria ser e o que eu queria fazer. A Samantha começou numa vibe mais pop/r&b, a Sasha foi pro trap e eu fiquei pensando… Gente, e eu? O que eu faço? Naquela época eu não sabia se eu queria fazer pop porque tantas pessoas pegavam no meu pé por não ter uma cor de cabelo fixa ou não ter um penteado certo que eu pensei “ok, vou construir minha identidade através do som” e… Bem, eu tentei fazer uma pegada mais Lana Del Rey. Deu certo? NÃO! Mas eu gosto de lembrar dessa época dessa forma, porque um pensamento vem a minha cabeça na mesma hora: A melhor coisa que você pode fazer pra ser lembrada é só ser você mesma. Não precisa ter um penteado fixo ou uma cor de cabelo fixa, basta fazer o que você sente vontade, experimentar, tentar… É a melhor coisa que podemos fazer por nós mesmos. Depois que eu me despedi dessa ideia, eu fiquei bem mais feliz nesse meio e comigo mesma. Sobre desafios, acho que continuar tentando e não desistir do que eu queria fazer. Já jogaram um helicóptero no palco enquanto eu cantava, já me zoaram pelo jeito que eu cantava, por ter autotune nas músicas, já fizeram comparações chatas, enfim… Mas eu sempre soube o que eu queria fazer. Eu posso ter cambaleando pelo caminho, mas a minha vontade de realizar meu sonho e meu desejo foi maior, e bem, gosto de pensar que tô no caminho certo.

ELLU: Como costuma ser seu processo criativo na construção das suas músicas? Você se encontra mais em um tipo de temática ou gosta de explorar vários conceitos?
Larissa: Ideias vem pra mim através de títulos. Eu costumo pensar primeiro no título, e aí o título dá início a catarse que é o processo de construção da faixa. Às vezes as ideias também vem em frases ou situações, por exemplo, tinha uma faixa descartada do In The Zone chamada Larissa, que era uma carta de amor a mim mesma, do tipo “todos os momentos ruins me fortaleceram pra que eu conseguisse chegar até aqui”, sabe? O Hartlezz conseguiu trazer essa ideia de amor próprio e carinho da melhor forma o possível, e eu sou muito grata a ele por essa música. Quem sabe um dia vocês não consigam ouvi-la?
ELLU: Qual você considera o seu melhor trabalho e o pior? Por quê?
Larissa: Eu não gosto de muitas coisas que eu fiz porque eu sou extremamente dura comigo mesma. Eu sempre vou esperar perfeição de mim, mesmo quando eu sei que perfeição não existe. Não gosto muito de Alucinada hoje em dia, acho que eu estava tentando demais ser algo que eu não era, e tenho uma relação de amor e ódio muito conhecida pelos meus amores da Legion Company com Animal. Meu melhor trabalho é Unforgettable. O sentimento de euforia que me preenche quando ouço essa música não parece com nada que senti antes, e o fato da Luvie James estar nessa faixa é a cereja no topo do bolo. É meu trabalho favorito de toda a minha discografia! Muito obrigada ao Passos por captar a idéia que eu queria transmitir e ao Gaspard pela paciência na produção.
ELLU: Quais são as suas maiores referências como artista que refletem exatamente o que entendemos de Larissa Pompom hoje?
Larissa: Britney Spears me moldou. Foi por conta dela que eu aprendi a falar inglês consegui aceitar minhas diferenças como pessoa quando comparada aos demais. A Madonna, por todo o legado construído em mais de seus quarenta anos de carreira e por se reinventar SEM MEDO. Vou até falar aqui que em algum momento vocês vão me ver de cabelo branco e preto de novo, tá? A Lady Gaga pela genialidade em não medir esforços pra seguir sua visão artística e ser autêntica. Do nosso meio, a Odete sempre vai estar no topo dessa lista – gosto de dizer que ela me fez ver que tudo é possível quando você se esforça pra isso, sabe? O Aeron, um dos amores da minha vida, a Lana Light por tudo que fez e faz por mim, enfim, a lista ficaria gigante se fosse listar todos.

ELLU: Hoje você é um grande ícone do nosso artístico, de lá pra cá quais momentos você considera mais marcantes?
Larissa: O primeiro show da Circus Tour, o lançamento do In The Zone, o meu primeiro prêmio da carreira no Downtown Reference Awards, ganhar Artista do Ano no Ellu Awards, ouvir Unforgettable com a Luvie pela primeira vez, o primeiro ensaio da In The Zone Tour completa… Eu gosto de lembrar de todas as coisas que eu já fiz no artístico (até mesmo as que eu não gosto tanto) com certo carinho, porque elas são passos que eu dei pra chegar até onde eu tô e passos que eu dei nessa caminhada que eu tô fazendo, sabe?
ELLU: Você também é uma Spicy Girl, como é estar entre esses ícones da moda e fazer parte desse projeto tão grande?
Larissa: Eu sempre fico passada quando lembro do primeiro Spicy Secret’s – foi um evento de fraternidade na Aspen que a Alison, a Sasha e a Myuna conseguiram transformar em algo icônico, premiado e um dos eventos anuais mais aguardados. Eu nem sei o que dizer porque acho que nunca vou conseguir compreender a dimensão desse projeto e o impacto dele, mas fico muito, muito feliz por ter participação na construção dessa história e desse legado, sabe? É muito lindo ver o que elas construíram ganhar forma todos os anos, a Sasha (que é minha irmã) se esforça e sempre dá muito de si nisso, assim como a Myuna deu e a Alison dá, e é lindo ver que o esforço sempre rende frutos.
ELLU: E por falar em projetos grandes, como foi construir todo a Circus Tour, foi sua primeira turnê, correto? O que você tirou de frutos dessa etapa da sua carreira?
Larissa: Foi o maior surto que eu já vivi até hoje, honestamente. Desde que me entendo por gente a Circus Tour da Britney é o meu show pop favorito. Eu sempre soube o que queria fazer para minha primeira turnê, mas depois de lançar Enfeitiçar eu tive certeza plena de que isso ia acontecer, sabe? Eu ganhei o palco de presente, e o Klaus quem trouxe ele pra dentro do jogo. Na época, não existia tanto conhecimento na área da tecnologia para fazer o palco funcionar exatamente como o da Britney, mas eu serei eternamente grata ao Klaus pela paciência e por atender a todos os pequenos pedidos que eu tinha a respeito desse show! A Barbie trouxe alguns dos looks desse show a vida, infelizmente existia um terceiro que não deu certo, mas que eu queria muito que tivesse funcionado – era meu favorito!!!! Tive apoio de amigos na época para dançar pra mim durante os shows, o Tigor, Finn Longhini, Luiz Longhini, Alec Lightwood, Chris Blakk, Tupper Ware, Ryan Maverick, Erick Grant, acho que até o João Sávio dançou em algum dos shows! O Thomaz Grant, meu filho precioso, que esteve comigo praticamente do início até o fim, também. Lembro da Diana Hyperion ser uma das primeiras pessoas que comprou a ideia do show e me deu todo o apoio e suporte pra que eu levasse a turnê pra Style, e sempre guardarei isso no meu coração, pois significou muito pra mim. O maior fruto/aprendizado que eu tirei dessa etapa é que as turnês podem ser extremamente estressantes. Eu AMO fazer shows, e turnês sempre vão ser a minha parte favorita disso tudo, mas ao mesmo tempo que é mágico, é extremamente estressante.

ELLU: Lari, a gente sabe que você é uma pessoa muito coração então vamos falar sobre relacionamentos? Quem são as pessoas que mais te apoiam, seja profissionalmente ou na sua vida pessoal?
Larissa: Eu sou abençoada de ter uma rede de apoio muito especial e importante pra mim. Listar nomes é perigoso, pois não quero que ninguém se sinta excluído e eu sou uma pessoa naturalmente esquecida, mas vou tentar o meu melhor. As minhas irmãs, Samantha e Sasha; A Odete, Kize, meus filhos, Aeron, o Abel, o Tigor, a Lana, o Gaspard. Que nem eu falei, eu tenho muitas pessoas que me apoiam e estão do meu lado independente do que aconteça e eu serei eternamente grata a cada uma delas, sem exceção! Peço desculpas se eu não te mencionar, não foi por mal, eu juro.
ELLU: Focando um pouco mais no profissional, como é o relacionamento e trabalho com a sua equipe atual?
Larissa: Equipe? Nessa primeira etapa da In The Zone Tour eu fui acompanhada pelos amores da minha vida, a Legion Company, pelo Abel e pelo Aeron na área da produção e bem, foi foda pra caralho! A gente tem uma boa relação entre nós e eu amo trabalhar com eles, acho que não teve um único show dessa turnê que a gente não deu boas risadas, até mesmo os que foram meio estressantes – e isso pra mim conta muito, pois você vai passar no mínimo umas 3 horas em call com as pessoas fazendo coisas ensaiadas e cronometradas, então uma boa relação e risadas é essencial para que seja divertido, sabe? Sempre gosto de mostrar meus projetos pro Kize, ele sempre ouve minhas ideias e músicas e me dá opiniões e feedbacks bem sinceros, e eu aprecio isso demais. O Aeron também já passou horas ouvindo planos e demos!
ELLU: E falando sobre marcas, como você se relaciona com as marcas que já andaram com você ao longo da carreira?
Larissa: Tive a oportunidade de trabalhar com a Viper em duas eras, a Softly Sassy e a Armageddon, ambas experiências incríveis que abriram portas pra mim e me deram muita, muita experiência. Hoje em dia sou embaixadora da Sickworld, e é mágico poder acompanhar tudo de um lugar tão privilegiado e próximo do ateliê, da criação. É sempre animador ver todo o planejamento se tornar realidade nas passarelas.

ELLU: Atualmente você faz parte da Rockford Records, e se não me engano foi a primeira artista brasileira a fazer parte do seu catálogo, como foi esse caminho até chegar lá?
Larissa: Complicado. Eu lembro de cair de paraquedas na Evergreen por um convite da Jiji, e depois de meses, quase um ano, eu recebi um convite da Katerina pra abrir o show de lançamento do primeiro álbum dela. Eu já estava fazendo o In The Zone na época, e foi nessa mesma noite do show que eu encontrei a Luvie e fiz o convite pra música que viria a ser Unforgettable! Conheci a Valentina acho que um dia antes, e após o show nós nos aproximamos e eu fui para os três dias do Rockford Reloaded, o festival da gravadora. Tive a oportunidade de conhecer o Felix, e eventualmente os artistas de lá, até conhecer a Dakota Todd, que é a CEO. A Valentina meio que fez essa ponte e fomos a uma reunião onde eles pediram pra saber um pouco sobre mim, ouvir minhas músicas e fazer o convite pra que eu me unisse a gravadora como artista – e honestamente, sou eternamente grata a Valentina por me apresentar a pessoas tão incriveis. Encontrei amigos que moram no peito na Rockford, o Hector e a Dakota me presentearam com o palco da In The Zone Tour exatamente como eu queria, me apoiaram em apresentações lá fora e deram todo o suporte que precisei em momentos diferentes. Minha conexão com a Rockford é bem próxima, tanto que hoje em dia me tornei uma das Managers e Embaixadora Global da gravadora, sabe? Então não foi um caminho muito fácil, mas eu tive apoio e suporte também.
ELLU: Falando sobre o seu projeto atual, In The Zone, depois de todo essa percurso de artístico, o que essa era representa pra você? Qual a ideia por trás do conceito?
Larissa: In The Zone é um nome que carrega bastante peso, né? Pra mim é o melhor álbum da Britney. Então quando eu tive a ideia de lançar o MEU In The Zone, eu sentia que tinha uma responsabilidade (que foi colocada nas minhas costas por mim mesma) muito grande. Como que eu ia honrar esse nome, sabe? Toda a estrada até o álbum que vocês ouviram foi complicada, sério… Esse álbum quase foi lançado com quatro músicas, imagina só? Enfim, a era In The Zone pra mim é a prova viva de que sonhos PODEM se tornar realidade. Sério, eles podem, porque o meu se tornou. Foi complicado pra caramba e eu quis desistir inúmeras vezes, mas eu não deixei de tentar e de correr atrás e de persistir e eu consegui, então não desista nunca! Tive apoio e suporte dos meus amigos e família, e eles tiveram de me segurar muito para que o álbum chegasse em sua versão final. A idéia do In The Zone é “entrar na zona”, num lugar de concentração e num espaço que eu guardo a Larissa performer, a artista, a que canta Gosto, aquela popstar sem medo e sem ansiedade, sabe? É você se conectar com o seu íntimo e com aquela persona confiante que existe dentro de você, trazer ela a tona e deixar se levar ao explorar lados, conceitos e aspectos que você naturalmente não exploraria. É sobre deixar ir, deixar fluir e viver o momento, a zona.
ELLU: E pra finalizar olhando pro futuro, o que podemos esperar sobre os próximos passos da nossa querida Larissa? Tem algum spoilerzuxo pra dona Ellu?
Larissa: Estou trabalhando muito. Tipo MUITO. Há coisas vindo que vocês não ouviram em lugar nenhum. Eu estou desenvolvendo em projetos distintos que saem ainda esse ano. Um deles… Bem, Ellu, vocês visitaram a Lariwood no Ellu Awards, né? Essa visita ainda não acabou… Pois nossas férias vão ser lá!