Confira abaixo a entrevista exclusiva com Victor Naka

ELLU: Ola Victor Naka, tudo bem? Vamos iniciar falando da sua transição. Em que momento você sentiu que “Vick” já não te representava mais?
Victor Naka: Foi um pouco antes das atividades promocionais da Viper com a Slut Babe. Eu já sentia que aquele seria um momento muito importante, quase como um marco do começo de tudo pra mim.
Nessa época, eu já tinha tomado meu primeiro PD e passei um pouco mais de dois meses sendo web velado. Foi um período de transição interna também, sabe? Eu já estava decidido a mudar de vez, principalmente para conseguir me divertir mais e me relacionar com as pessoas de uma forma que realmente fizesse sentido pra mim.
Mas essa mudança veio com muito carinho, a “Vick” nunca deixou de ser importante , pelo contrário, foi uma fase essencial na construção do Victor e de muitos projetos que continuam vivos até hoje. Foi mais sobre evoluir e abrir espaço para uma nova versão minha, sem apagar tudo o que já foi construído.
ELLU: O que você deixou para trás nessa transição e o que fez questão de manter?
Victor Naka: O principal foi me permitir viver coisas que antes eu não viveria. Eu vinha de uma estética de “garota certinha”, muito controlada, e essa transição me deu liberdade pra explorar um lado mais solto, ainda mais interpretando um personagem gay masculino em uma cidade LGBTQIA+ como Beverly Hills e no Instagram global.
Foi, sem dúvida, a parte mais radical: poder brincar mais, flertar, me permitir viver o momento sem aquela pressão de seguir sempre uma imagem impecável o tempo todo. Mas, ao mesmo tempo, fiz questão de manter tudo aquilo que sempre foi muito meu: meu lado competitivo, animado, detalhista e criativo. Continuo cheio de ideias mirabolantes e com a mesma vontade de fazer acontecer, isso nunca mudou, só ganhou uma nova forma.

ELLU: Se BHU fosse um capítulo da sua história, qual seria o título? E existe algum momento vivido lá que mudou completamente sua trajetória?
Victor Naka: Esse capítulo se chamaria algo como “A Temporada Que Mudou Tudo”, porque foi realmente o começo de uma nova fase pra mim dentro do RP.
O momento mais marcante, sem dúvida, foi na primeira temporada, quando eu entrei de vez nesse universo universitário, com fraternidades, Instagram global e toda essa dinâmica que eu nunca tinha vivido antes. Na época, eu fazia parte da Sweet Poison, e tudo era muito novo.
As regras, os eventos, as rotinas de treino, as apresentações, as competições… tudo tinha uma intensidade muito grande. E, ao mesmo tempo, eu estava cercado dos meus amigos mais próximos, todo mundo vivendo experiências intensas dentro da cidade junto comigo.
Isso fez tudo ser ainda mais especial. Não era só sobre o meu desenvolvimento, mas sobre crescer junto com outras pessoas, criar histórias e conexões que marcaram de verdade. Ali foi o ponto de virada. Foi quando tudo deixou de ser só uma experiência e passou a ser algo muito maior dentro da minha trajetória.

ELLU: Contra pra gente como você iniciou na Viper Couture?
Victor Naka: Meu pontapé inicial com a Viper Couture começou ainda no universo das fraternidades (2023). A marca já me vestia na época em que eu fazia parte da Sweet Poison e também das Spicys, então já existia uma conexão ali.
Depois disso, consegui uma agenda para desenvolver o uniforme exclusivo das Dolls, e esse foi um passo muito importante pra aproximar ainda mais essa relação. A partir daí, acabei fechando oficialmente com a marca e comecei a participar dos eventos como modelo.
Um dos momentos marcantes foi o lançamento das coleções Yummy Summer e Armageddon (2024), onde tive a oportunidade de estar presente de forma mais ativa. Logo em seguida, também participei da organização do evento de lançamento da Slut Babe em BHU (2025), o que fortaleceu ainda mais meu vínculo com a Viper. Com o tempo, essa parceria evoluiu naturalmente, até eu me tornar um dos influenciadores oficiais da marca, o que, pra mim, foi muito especial por acompanhar todo esse crescimento desde o início.
ELLU: A Viper veste o Victor ou o Victor dá identidade à Viper?
Victor Naka: A Viper com certeza me veste e faz isso de uma forma que conversa muito com a minha trajetória. Como influenciador, eu busco sempre acompanhar de perto todas as tendências e lançamentos da marca, e como cliente também corro atrás das minhas peças exclusivas, porque gosto de viver isso por completo.
Mas, ao mesmo tempo, eu também me vejo como parte da identidade da Viper, principalmente dentro de Beverly Hills. Por ser um dos membros mais ativos da marca, acredito que acabo contribuindo com essa construção no dia a dia , seja na forma de me expressar, de me posicionar ou de levar a Viper para diferentes espaços. Então acho que é uma troca muito natural: a Viper me veste, mas eu também ajudo a contar a história dela.

ELLU: Junto a você veio os eventos voluntarios, como o Natal Solidario que foi criado com esse intuito de ajudar. De onde vem esse seu lado mais humano dentro de um ambiente tão competitivo?
Victor Naka: Eu acho que tudo parte do princípio de que, por trás de cada player, existe uma pessoa real. E às vezes, dentro dessa imersão tão intensa , seja pela competitividade, pelo status ou pela busca por destaque, a gente acaba esquecendo um pouco disso. Esse lado mais humano vem muito dessa consciência. De entender que o RP vai além do jogo, e que as conexões que a gente cria ali também são reais.
Os eventos beneficentes nasceram exatamente disso: da vontade de usar esse espaço que a gente tem para fazer algo que vá além da competição, que gere impacto de verdade e olhe pro próximo com mais cuidado. Porque, no fim, não importa o ranking ou o destaque… se a gente puder fazer a diferença, mesmo que seja um pouco, já vale muito a pena.
ELLU: Em relação as Dolls, qual foi o momento mais icônico da sua trajetória no grupo até o momento?
Victor Naka: Sem dúvida, o momento mais icônico pra mim foi a organização do desfile da Slut Babe em Beverly Hills. Foi ali que tudo se alinhou de uma forma muito especial.
Era o momento perfeito para o nascimento do Victor Naka e também uma grande surpresa, porque ninguém esperava um desfile oficial da Viper, com uma coleção tão forte e ainda com participação de artistas de fora dentro da cidade.
Mas, além disso, tinha um significado muito maior pra mim. Não era só sobre o meu momento individual, e sim sobre o grupo. As Dolls, até então, nunca tinham participado de um desfile, então poder proporcionar essa primeira experiência foi algo muito importante.
Unir o nascimento do Victor, o primeiro desfile das Dolls e o primeiro desfile oficial da Viper em Beverly Hills tornou tudo ainda mais marcante. E claro, o pós-evento também foi muito especial. Receber o retorno positivo do time da Viper, com tantos elogios sobre o desfile, me deu ainda mais motivação e a certeza de que estávamos no caminho certo.

ELLU: Você se via como líder ou isso aconteceu naturalmente? Foi algo que você foi percebendo ao longo do tempo
Victor Naka: A liderança sempre fez parte de mim, de certa forma. Antes das Dolls, eu já tinha participado e liderado outros projetos, então quando o grupo começou a tomar forma, foi algo que veio muito naturalmente.
Não foi algo que eu me forcei, mas sim algo que eu quis assumir e construir. A partir do momento em que tomei essa decisão, esse lugar só foi se fortalecendo com o tempo. Foi um processo muito natural, construído no dia a dia, na forma de organizar, de pensar estrategicamente e de cuidar do grupo como um todo.
ELLU: Qual valor da sua família você carrega como marca registrada?
Victor Naka: O principal valor que eu carrego é o companheirismo. Essa ideia de estar junto, de ser parceiro de verdade, tanto nos projetos quanto na vida.
E isso é algo que eu faço questão de construir dentro da minha própria família, porque fui eu quem fundou. Independente de fraternidade ou cidade, sempre foram pessoas que eu tive carinho e confiança para estarem comigo, e isso nunca mudou. Hoje, eu levo isso como uma marca registrada, de fortalecer quem está ao meu lado e construir tudo de forma coletiva, com parceria de verdade.

ELLU: Qual trabalho você considera um divisor de águas na sua carreira?
Victor Naka: Sem dúvida, as Dolls. Existe uma diferença muito grande entre fazer parte de um projeto e criar o seu próprio e eu vivo isso todos os dias. Quando você cria algo, o peso é outro. Isso muda completamente a sua rotina e começa a impactar diretamente a vida de muitas pessoas, muitas vezes de formas que a gente nem imagina.
Toda a construção da fraternidade, os eventos, os recrutamentos, os conflitos e as conquistas fazem parte desse processo contínuo. Mas, acima de tudo, tem um ponto muito importante: eu sou quem define o que são as Dolls. A identidade, os valores, a direção… tudo passa por mim.
E junto com isso vem também um lado muito humano, de cuidado e responsabilidade. Eu me preocupo de verdade com quem faz parte, com a experiência que cada pessoa vive ali dentro e com o ambiente que a gente constrói juntos. As Dolls não são só um projeto, são uma construção constante que segue evoluindo e que também carrega muito de quem eu sou.
ELLU: Esse novo Victor é libertação ou provocação? Você sente que hoje tem mais controle sobre como é visto?
Victor Naka: O novo Victor é um pouco dos dois: libertação e provocação.
Hoje eu tenho muito mais liberdade na forma como me expresso, principalmente saindo daquela imagem da “garota boazinha” para explorar um lado mais ousado, seguro e provocativo. É uma fase onde eu busco transmitir mais sensualidade, intensidade e qualidade em tudo que eu faço.
Isso não fica só dentro da cidade, vai também para as redes sociais. Eu realmente me jogo nessa estética, nessa nova era, explorando ao máximo o potencial criativo, ainda mais agora, surfando essa fase do Blender, que abriu muitas possibilidades pra mim.
E algo que reacendeu muito essa chama foi o meu novo personagem da Clound9, que trouxe exatamente a essência que eu queria transmitir: mais atitude, presença e liberdade criativa. Um ponto importante também são os conteúdos +18 que estão por vir, marcando uma nova fase mais sexy e ousada, com apoio do time da DotPlan. Isso reforça ainda mais essa identidade que eu quero construir.

ELLU: Quem são suas maiores referências e o que você absorveu de cada uma?
Victor Naka: Eu tenho referências bem diferentes entre si, mas que, juntas, ajudaram muito na construção de quem eu sou hoje.
O Cha Eun-woo é uma grande inspiração estética pra mim. Acho ele um ator incrível, e acabei usando muito dessa presença e imagem como base na minha própria construção.
A Madison Montgomery, sem dúvidas, é minha maior referência em moda.
Ela sempre entrega muito em todos os projetos e tem uma visão extremamente apurada, tanto dentro do FiveM quanto no universo fashion.
O Kenji Naka é uma referência mais pessoal. É alguém justo, atencioso, às vezes até mais briguento, mas que sempre esteve ao meu lado, me apoiando ao longo dos anos.
O Cel Naka é minha principal referência quando se fala de performance e coreografia. Ele tem uma criatividade absurda e uma facilidade incrível de lidar com pressão, além de um talento muito natural pra dança e música.
A Alisson Bohs Kilson foi quem abriu as portas pra mim no mundo das líderes de torcida. Ela tem um jeito único, mais ácido, mas ao mesmo tempo muito comprometido e carinhoso, sempre entregando tudo em cada projeto.
E o Duke é uma referência pessoal muito forte pra mim. Ele é otimista, criativo e dedicado, alguém que se entrega de verdade aos próprios projetos, sempre me apoiou muito nas coisas de Beverly Hills e isso sempre me inspirou muito.
De cada um deles, eu absorvi um pouco, seja estética, disciplina, criatividade ou visão, e tudo isso ajudou a moldar quem eu sou hoje.
ELLU: Onde você quer estar quando falarem seu nome daqui a um ano? Tem alguum desejo?
Victor Naka: Daqui a um ano, eu quero estar ainda mais consolidado dentro da Viper, sendo reconhecido como uma das “Viperas” da marca, com atitude, presença e entregando tudo que eu sei que posso.
Quero que as pessoas lembrem de mim não só pelo carinho, mas pela intensidade, pelos eventos, projetos e momentos que marcaram, com essa energia mais ousada, provocativa e impossível de ignorar.
E, acima de tudo, seguir evoluindo, sempre buscando uma versão ainda mais forte, criativa e autêntica de mim mesmo. No fim, eu só quero ter marcado a vida das pessoas de alguma forma, seja pelo impacto, pela conexão ou até pela provocação, mas sempre deixando uma marca que não passa despercebida.